Por William Correia, Gustavo Antonio e Rafael Cabral, especial para a GE.Net
Eleita por clubes, cartolas, jogadores e torcedores o principal torneio interclubes do mundo, a Copa dos Campeões começa nesta terça-feira com equipes de pouca ou nenhuma tradição no futebol. É o reflexo das medidas adotadas pelo francês Michel Platini, há um ano e meio a frente da Uefa, para valorizar a Copa da Uefa, o segundo torneio da Europa.
A promessa de limitar as vagas de países como Itália, Inglaterra, Espanha e Alemanha no principal torneio continental do mundo já tinha dado resultado em 2007/08, quando o Bayern de Munique ficou relegado à Uefa e caiu nas semifinais. Desta vez, o todo-poderoso Milan, campeão da Champions em sete oportunidades, a última delas em 2007, fica fora da competição ao lado de outros que já se consagraram com o maior título da Europa, como Ajax, Benfica, Aston Villa, Feyenoord, Borussia Dortmund e Hamburgo.
Enquanto times com nome forte se digladiam para ganhar a taça que ficou nas mãos do Zenit em maio, desconhecidos como CFR Cluj, da Romênia, Basel, da Suíça, Aalborg, da Dinamarca e até BATE Barisov, da Bielo-Rússia, e Anothosis, do Chipre, entram no caminho de Real Madrid, Barcelona, Chelsea, Manchester United, Liverpool e Inter de Milão em uma copa na qual as presenças de equipes ucranianas, gregas, turcas e russas já nem surpreendem mais.
Mais do que em relação a seus participantes, a Copa dos Campeões tem perdido em nível, teoricamente, também na presença dos astros brasileiros. Nenhum dos atletas verde-amarelo que já foi eleito o melhor do mundo e ainda está em atividade disputará a competição – Kaká fica no Milan para a Copa da Uefa, agora ao lado de Ronaldinho Gaúcho, e Rivaldo foi para o Uzbequistão. Até mesmo Robinho, sempre cotado para o prêmio, trocou o Real Madrid e a Copa dos Campeões pelo Manchester City na Uefa.
Sem as estrelas, que mesmo em baixa continuam figurando nas convocações de Dunga, quem segue nos principais confrontos do futebol europeu são coadjuvantes da seleção brasileira. O nome mais chamativo é de Diego, ainda maestro do Werder Bremen, acompanhado por Adriano e Mancini, na Inter de Milão; Daniel Alves, no Barcelona; Anderson, no Machester United; Juninho, no Lyon; e Alex, no Fenerbahce.
Mas nem tudo é desprezível nesta edição da Champions. As torcidas de alguns dos principais clubes puderam comemorar o retorno à principal competição da Europa. A bicampeã Juventus de Turim marca sua volta depois de passar até pela segunda divisão nacional nos últimos anos. Da Itália, também aparece a Fiorentina, algoz do Milan para ficar com uma das quatro vagas do país. Da Espanha, o Real finalmente poderá se deparar com seu rival municipal, o Atlético, que desbancou o emergente Sevilla.
Diante deste cenário menos chamativo, confira a análise de cada um dos oito grupos da Copa dos Campeões, onde estão separados os 32 times que sonham em levantar a mais cobiçada taça continental em 27 de maio, na final marcada para Roma.
Grupo A |
Fotos AFP

Felipão (Chelsea) |
Vice-campeão na última temporada, o Chelsea chega com a obrigação de vencer a Copa dos Campeões para justificar os milhões investidos pelo russo Roman Abramovich desde que assumiu o clube em 2003. Nesta empreitada, a equipe do técnico Luiz Felipe Scolari não deve ter dificuldades para ficar entre os dois primeiros do grupo A.
Além dos ingleses, a Roma, atual vice-campeã italiana, aparece como uma das favoritas a uma das vagas para a próxima fase. Quem pode surpreender é o Bordeaux, segundo colocado no último francês, uma vez que o campeão romeno e estreante na Champions, o CFR Cluj, aparece como zebra da chave. |
Grupo B |
Na teoria, Inter de Milão e Werder Bremen são os grandes favoritos para ficarem com as duas vagas do grupo B para a próxima fase. O time nerazzurri, agora comandado por José Mourinho, tenta expandir sua supremacia para além da Itália (é o atual tricampeão nacional), enquanto os alemães, que contam com Diego e Naldo, buscam a afirmação no cenário europeu.
Contudo, o Panathinaikos, que contratou os brasileiros Gilberto Silva, Gabriel e Souza, tenta surpreender no ano de seu centenário. Já o Anorthosis deve se contentar com o fato de ser o primeiro clube do Chipre a disputar uma Copa dos Campeões. |

Diego (Werder) |
Grupo C |

Messi (Barcelona) |
Nesta chave, o Barcelona aparece como grande favorito. Porém, o time catalão terá que superar um tabu de dois anos sem títulos – a última conquista foi justamente a da Copa dos Campeões de 2005/2006 -, agora sem Ronaldinho Gaúcho e Deco, que deixaram o clube. Assim, o argentino Messi e o francês Thiery Henry aparecem como principais esperanças dos espanhóis.
Já o Sporting chega como segunda força do grupo C, porém, não muito à frente do Shaktar Donetsk, clube dos brasileiros Ilsinho, Jádson, Willian, Fernandinho, Brandão e Luiz Adriano, e do Basel, que também aparecem com chances na luta por uma vaga na próxima fase da competição. |
Grupo D |
Contando com equipes tradicionais em seus respectivos países, a chave D promete ser uma das mais equilibradas da Copa dos Campeões desta temporada. O Liverpool, por seus cinco títulos e pelo seu retrospecto recente (uma conquista, um vice-campeonato e uma semifinal) na competição, é apontado como grande favorito.
Porém, PSV Eindhoven, Olympique de Marselha e Atlético de Madri prometem dificultar a vida dos Reds. Dentre estes times, o espanhol é o que chega mais motivado, visto que retorna à Champions após 11 anos, com uma equipe forte, que conta com o argentino Aguero e com o uruguaio Forlán. |

Lucas (Liverpool) |
Grupo E |

Cristiano Ronaldo (Manchester) |
Atual campeão, o Manchester United não deve ter problemas para ficar com a primeira colocação do grupo E. Apesar das seguidas investidas do Real Madrid, o time inglês, do brasileiro Anderson, conseguiu segurar sua principal estrela, o português Cristiano Ronaldo, e aparece forte na luta pelo bicampeonato.
Desta forma, resta ao Villareal, que assim como o Manchester United resistiu ao assédio do Real Madrid, mantendo o meio-campo Santi Cazorla, ao Celtic e ao Aalborg lutar pela segunda vaga do grupo. |
Grupo F |
Assim como o grupo D, a chave F também deve ser marcado pelo equilíbrio. Além do tricampeão da Champions, Bayern de Munique, Steaua Bucareste, Lyon e Fiorentina estão na disputa.
O Bayern de Munique, dos brasileiros Breno e Zé Roberto, têm como destaques o francês Riberry e o italiano Luca Toni, que deixou justamente a Fiorentina há duas temporadas. O time italiano, por sinal, volta à competição após a crise que o levou à falência no início da década.
O Lyon, de Cris, Fábio Santos, Juninho Pernambucano e Fred, mais uma vez tenta chegar à conquista de um título europeu, após a consolidação da hegemonia em seu país (é o atual heptacampeão francês), enquanto o Steau Bucareste tenta um milagre para repetir o título da temporada 1985/1986. |

Juninho (Lyon) |
Grupo G |

Alex (Fenerbahce) |
Mesmo surpreendendo no ano passado ao chegar às quartas-de-final da Copa dos Campeões sob o comando do então técnico Zico, o Fenerbahce deve ter mais trabalho nesta edição do torneio continental, pois no grupo G terá pela frente duas equipes tradicionais, o Porto e o Arsenal. Sem o técnico brasileiro, o comando do time turco agora pertence a Luis Aragonés, campeão da última Eurocopa pela Espanha.
Além dos favoritos da chave, Arsenal e Porto, o grupo G também conta o Dínamo de Kiev. Para o brasileiro Denílson, do clube inglês, não há sequer uma equipe fraca no grupo. “Não tem uma equipe que seja fraca. Nossos três adversários têm qualidade. O Dínamo de Kiev tem muita força e um bom contra-ataque. O Porto conta com jogadores de qualidade, como o goleiro Hélton. E o Fenerbahce surpreendeu muita gente na última edição da Liga. O grupo terá grandes partidas”, avaliou.
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Grupo H |
Mesmo com a presença do módico Bate Barisov, da Bielo-Rússia, esse é um dos grupos mais difíceis do torneio, pois conta com Real Madrid, Juventus e Zenit, que apesar de não ter a mesma tradição dos seus rivais, foi o campeão da última Copa da Uefa.
Quando foi o vencedor do torneio europeu, o clube russo eliminou times de maior prestígio - Villarreal, Olympique de Marselha, Bayer Leverkusen, Bayern de Munique e Rangers.
Apesar da boa campanha do Zenit na última temporada, os favoritos para ascenderem até as oitavas-de-final são mesmo o Real Madrid, maior vencedor da competição com nove títulos, e a Juventus bicampeã do torneio. |

Amauri (Juventus) |
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