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Felipe Held, especial para a GE.Net
As mesmas modalidades dos últimos 12 anos mantiveram o Brasil entre os 25 melhores países no quadro de medalhas das Olimpíadas de Pequim-2008: vôlei (de quadra e de praia), vela, atletismo, futebol, natação e judô reafirmaram na China a tradição de pódios para o esporte brasileiro. O resultado foi conseguido apenas graças ao melhor desempenho brasileiro feminino na história dos Jogos, minimizando alguns fracassos da delegação e um desempenho que pode ser considerado abaixo do esperado, principalmente se for levado em consideração que este é o primeiro ciclo olímpico completo disputado sob a égide dos R$ 160 milhões cedidos ao esporte nacional por meio da Lei Piva.
O Brasil ganhou 15 medalhas em Pequim, mesmo resultado de Atlanta-1996, quando o País conquistou seu maior número de pódios olímpicos. Seis delas foram obtidas por mulheres, ou 40% do total. Em comparação às outras, a participação feminina foi disparada a melhor, superando as proporções de Atlanta-1996 (4 das 15 medalhas – 27%), Sydney-2000 (2 de 12 – 17%) e Atenas-2004 (2 de 10 – 20%).
Pequim-2008, no entanto, ficará marcada também por ser a primeira vez que brasileiras participantes de esportes individuais chegaram ao pódio. Isabel Swan e Fernanda Oliveira, Ketleyn Quadros e Natalia Falavigna, bronze na vela, judô e taekwondo, respectivamente, e Maurren Higa Maggi, ouro no salto em distância, chegaram onde nenhuma outra jamais havia estado. O reconhecimento do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) pela ajuda delas veio na cerimônia de encerramento. Maurren, que retornou ao esporte em 2006 após dois anos de suspensão por causa de doping, foi convidada para ser a porta-bandeira da delegação nacional.
A segunda medalha feminina de ouro foi conquistada no sábado (23), quando a equipe de vôlei despachou na final as zebras dos Estados Unidos. O primeiro ouro da história coroou ainda uma campanha quase perfeita, com 24 sets vencidos em 25 jogados e superou o trauma de 2004, quando o Brasil caiu nas semifinais diante da Rússia após perder seguidos match points. A única prata “de saias” veio com a seleção de futebol, derrotada por 1 a 0 pelos Estados Unidos na final.
Entre os homens, o primeiro ouro foi conquistado por César Cielo nos 50m livres, o primeiro nadador campeão olímpico do Brasil. O paulista de Santa Bárbara d’Oeste foi arrasador na piscina do Cubo D’Água e quebrou o recorde olímpico da prova. Fez 21s30, 0s02 mais lento que a marca mundial.
Embora tenha conseguido igualar o recorde absoluto de 15 medalhas, o Brasil deixou escapar a chance de superar o desempenho qualitativo de Atenas-2004, quando a delegação levou cinco ouros, duas pratas e três bronzes. Tudo por causa de derrotas importantes dos representantes masculinos. A mais sentida delas veio na última prova com atletas brasileiros em Pequim, com a derrota de virada da seleção masculina de vôlei na final para os Estados Unidos por 3 sets a 1. Outro tropeço notado foi o da seleção masculina de futebol, que conquistou apenas a medalha de bronze após cair nas semifinais diante da arqui-rival Argentina por 3 a 0.
Outro desempenho muito abaixo do esperado foi o de Diego Hypólito. Um dos favoritos ao ouro na prova do solo da ginástica artística, o brasileiro errou o último – e mais fácil – salto de sua série, caiu sentado, perdeu pontos preciosos na disputa do pódio e ficou em sexto lugar. Na mesma posição ficou o triplista Jadel Gregório, credenciado para terminar entre os três primeiros. Mais decepções vieram no judô, que não conseguiu um ouro apesar de ter na delegação os campeões mundiais Tiago Camilo (terminou com o bronze dos meio-médios), João Derly (perdeu nas semifinais dos meio-leves e não conseguiu entrar na disputa pelo terceiro lugar) e Luciano Corrêa (meio-pesado).
No hipismo, o então campeão olímpico Rodrigo Pessoa não conseguiu defender o título e encerrou a participação no quinto lugar. O vôlei de praia feminino pela primeira vez na história ficou fora do pódio, enquanto o basquete feminino, semifinalista nas últimas três edições, teve uma péssima campanha e sequer passou da primeira fase.
Apesar das 15 medalhas, o desempenho brasileiro acabou mesmo ficando um pouco abaixo do esperado para o primeiro ciclo olímpico realizado inteiramente com o apoio da Lei Piva, que passou a vigorar em 2002 e destina cerca de 2% da arrecadação das loterias para o incentivo ao esporte. Apenas repetiu Atlanta-1996, quando o país tinha menos dinheiro para sua preparação. A maior delegação olímpica da história do esporte brasileiro, com 277 atletas, não foi responsável pela melhor campanha verde-amarela nos Jogos.
O COB, contudo, destacou Pequim-2008 como a melhor edição dos Jogos para o desporto nacional. “O crescimento esportivo de um país não deve ser medido apenas por medalhas”, disse o presidente da entidade, Carlos Arthur Nuzman. “A presença de um maior número de atletas e de modalidades em finais indicam a evolução qualitativa do esporte brasileiro”, prosseguiu o mandatário, ressaltando o fato de que neste ano os atletas nacionais disputaram 38 finais, superando as 30 de Atenas-2004 e as 22 de Atlanta.
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